Educação Infantil Obrigatória

01/05/2013

No início de abril, o governo federal publicou, no "Diário Oficial da União', a lei número 12.796 que estabelece alterações nas diretrizes e bases da educação nacional. A novidade está inserida no artigo 62, que torna: "dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula das crianças na educação básica a partir dos 4 anos de idade': Antes, a matrícula se iniciava aos 6 anos.

A publicação da lei que torna obrigatória a matrícula na escola a partir de 4 anos divide a opinião dos pais. Muitos acreditam que o melhor para a criança é ficar aos cuidados maternais até a fase de alfabetização - em virtude de desenvolvimento de caráter e valores praticados pela família. Por outro lado, quem não tem condições de matricular em uma boa escola particular, desconfia da qualidade do ensino público e prefere adiar a matrícula. O diretor teatral Wagner Ferreira, que trabalha com oficinas de teatro para crianças a partir de 2 anos, defende que a família só pode se dar ao luxo de não matricular a criança em uma boa escola se o ambiente familiar oferecer todas as experiências que a escola oferece, e conta: "Tentamos, mas na correria do cotidiano descobrimos ser impossível ter uma rotina com a ideal atenção e estímulos que a criança precisa. Foi difícil achar uma escola à altura do que queríamos e condizente com nossa realidade financeira, mas já nessa primeira semana de aulas percebemos que realmente foi o melhor para nossa filha que completa 3 anos em maio. Muito melhor do que ficar com a babá."

Para Erika de Souza Bueno, coordenadora educacional da Planeta Educação, "é indispensável que os pais ou responsáveis tenham a perfeita compreensão de que a ideia primordial da obrigatoriedade da educação infantil é tratar a infância com o respeito e os cuidados necessários." A psicopedagoga Maria Celia Montagna de Assumpção destaca que um dos principais papéis reservados à Educação é o de capacitar o indivíduo a dominar o próprio desenvolvimento, fornecendo-lhe, o mais cedo possível, o "passaporte para a vida", levando-o a compreender melhor a si mesmo e aos outros, de forma a poder participar da vida em sociedade. A escola deve deixar claro aos pais que o atual contexto social possui exigências diferentes de épocas passadas, e a escola passa a ser o espaço em que as relações humanas são moldadas. Maria Celia explica que hoje a escola possui um caráter formador, aprimorando valores e atitudes, desenvolvendo, desde a mais tenra idade, o sentido da observação, despertando a curiosidade intelectual nas crianças, capacitando-as a buscar informações.

Segundo Piaget, a etapa dos dois aos seis anos é uma das fases mais importantes do desenvolvimento humano, pois nela ocorrem inovações radicais na inteligência. É também nessa etapa que as crianças constroem os padrões de aprendizagem formais que utilizarão na vida. A partir dos três ou quatro anos as crianças podem se beneficiar mais com as experiências enriquecedoras oferecidas na escola do que exclusivamente as oferecidas em casa. Sobretudo, a interação com outras crianças e adultos que lhes propõem atividades apropriadas ao seu nível. Trazer o mundo para dentro da escola e fazer a criança se "apaixonar" pelo conhecimento é a principal meta da Educação Infantil. Pesquisas neurológicas recentes reforçam a importância da aprendizagem nos anos iniciais, ao demonstrarem que aos três anos o cérebro humano tem estrutura pronta para aprender e nele ocorre cerca de um trilhão de movimentos sinápticos, número que representa o auge das conexões sinápticas do cérebro humano, sendo importante aproveitar as "janelas de oportunidades", oferecendo estímulos para as crianças desenvolverem o maior número possível de habilidades.

Durante os cinco primeiros anos de vida, as crianças aprendem o padrão básico do discurso; absorvem naturalmente a linguagem, ouvindo e utilizando a do adulto como referência. A psicopedagoga Maria Cecília é autora do material pedagógico de educação infantil do sistema Anglo. Com base em sua experiência, ela explica que a Educação Infantil permite que as crianças sejam pensadores sistêmicos, aprendam a refletir sobre seus modelos mentais, a trabalhar em equipe e a construir visões compartilhadas com outros, e, quanto mais cedo isso acontecer, melhor é para o desenvolvimento da criança. O maior desafio, porém, é fazer justiça ao potencial de desenvolvimento da criança, buscando recursos para enriquecê-lo com o conceito de uma alfabetização para o mundo, dando possibilidades às meninas e aos meninos de se apropriarem de ferramentas básicas que lhes permitam se comunicar e seguir aprendendo.

"Deixar de forncecer estímulos às crianças nos primeiros anos de vida custa caro para elas e para um país".
James Heckeman,
Prêmio Nobel de Economia

Fonte: Revista Supra Ensino